segunda-feira, 26 de julho de 2010

Clareza e concisão


Por Thaís Nicoleti
“A medida tem relação com os casos de consumidores de Belo Horizonte que tiveram problemas de aceleração repentina e involuntária do Corolla automático. Nos acidentes registrados, em um deles houve perda total do veículo e a condutora sofreu ferimentos leves.”

Os problemas que os textos apresentam nem sempre se resumem a questões pontuais – aliás, na maior parte das vezes, o principal deles é a organização das ideias de modo claro e conciso.
Por concisão normalmente se entende a capacidade de sintetizar as ideias: dizer o máximo com o mínimo de palavras. É claro que fazer isso nem sempre é fácil, mas, com um pouco de atenção e treino, é possível compor um texto condensado sem sacrificar o seu teor informativo.
À ideia de concisão soma-se a de clareza. O texto que tem essas qualidades, fruto da articulação coesa e coerente do material informativo, facilita o trabalho do leitor, que pode ler com fluência.
O fragmento acima peca por certa imprecisão. Segundo o texto, os consumidores tiveram problemas de aceleração repentina e involuntária (do carro). Sabemos, entretanto, que a aceleração repentina e involuntária foi um defeito dos veículos, não de seus proprietários. É mais preciso, portanto, usar uma construção do tipo “consumidores cujos veículos apresentaram problemas” – estaremos assim aumentando a clareza do texto.
Em seguida, aparece um defeito de coesão: “Nos acidentes registrados, em um deles…” é, no mínimo, uma construção hesitante. Seria muito mais simples dizer “em um dos acidentes registrados”.
Abaixo, uma sugestão para aumentar a clareza do texto:
A medida tem relação com os casos de consumidores de Belo Horizonte cujos veículos do modelo Corolla automático apresentaram problemas de aceleração repentina e involuntária. Em um dos acidentes registrados, houve perda total do veículo e a condutora sofreu ferimentos leves.

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